Cavalls del Vent

Depois de 2 semanas de férias nos Pirineus, onde já tínhamos percorrido os Carros de Focs e participado no Trail do Val D´Aran (50km), decidimos, antes de vir para o Porto, percorrer os Cavalls del Vent.

Esta travessia circunda todo o  Parque Natural Cadí-Moixeró (Pirineus Catalães) e tornou-se famosa no “mundo” do trail por causa do Ultra Pireneu (antigamente UT Cavalls del Vent). Tem uma extensão de 84km e um acumulado positivo de 5.600m.

Iniciamos a “aventura” cerca das 10h em Bagá (pequena vila a 650m de altitude) onde deixamos ficar o carro.

O nosso primeiro objetivo era chegar ao Refúgio de Niu de L´Àliga (2.510m). São quase 2.000m de desnível positivo sendo que a meio passa-se pelo refúgio de Rebost (1.640m).

 

Se até ao refúgio de Rebost o trajeto é no meio de vegetação cerrada, o que nos impossibilita de apreciar a vista, após o refúgio com o aumento da altitude os trilhos permitem apreciar paisagens fabulosas.

Quando chegamos ao cimo a vista era incrível, no entanto a quantidade de pessoas presentes (existe um acesso fácil de carro pelo outro lado do monte) transformou o refúgio num autêntico parque de diversões. A nossa opção foi descansar só 10 minutos e seguir viagem porque sentimo-nos deslocados.

Tínhamos reservado a dormida no refúgio de Cortals de I´Ingla (1.610m) mas para lá chegar tínhamos de passar ainda pelo refúgio Serrat de les Esposes (1.511m).

Foram cerca de 20 kms em trilhos bem definidos, no meio de florestas e com paisagens deslumbrantes.

O refúgio de Cortals de I´Ingla é pequeno e muito agradável. No total eramos 6 hospedes, para além das 2 responsáveis. Para nossa surpresa foi-nos destinado um pequeno quarto só para nós no sótão (coisa rara nos refúgios).

A manhã começou cedo, como é habitual nestas andanças.

Após o pequeno almoço seguimos viagem até ao refúgio de Prats d´Aguiló (2.010m). Um percurso muito agradável sempre em single track que serviu para preparar as pernas para o que se iria seguir.

Após este refúgio tínhamos pela frente uma “senhora” subida, não muito longa mas com um declive bastante acentuado. Após ultrapassarmos o topo entrámos num planalto fabuloso, talvez um dos locais mais bonitos de toda a travessia.

Desde o topo até ao refúgio de Lluis Estasen (1.668m) são cerca de 10km sempre a descer. Se nos primeiros 2km corremos num trilho no planalto, os restantes 8 km foram sempre num estradão, tornando esta parte do trajeto bastante monótona.

Do refugio de Lluis Estasen até ao de Gresolet (1.280m) eram unicamente 4km praticamente a descer. Quando lá chegamos foi tempo de descansar e recarregar energias.

Já só nos faltavam 16km até ao Refugio de St. Jordi (1.570m) onde iriamos pernoitar. Com o cansaço acumulado e o elevado calor que se fazia sentir, não foi fácil de chegar ao refúgio, especialmente a subida final com 500m de desnível.

O refúgio é agradável e os seus responsáveis muito simpáticos, no entanto não oferece a tranquilidade do da noite anterior porque tem o triplo da capacidade e estava completamente cheio.

O último dia iria ser simples. Tínhamos que fazer 13 km até ao refugio inicial e depois mais 10km a descer até Bagá. Acabou por ser uma manhã engraçada porque nesse dia decorria um trail que estava a fazer o percurso inverso ao nosso. Ao longo do trajeto fomos sempre incentivando os atletas que passavam por nós.

No final a vila de Bagá estava em festa com a chegada desse trail e a presença de centenas de atletas. Sentimo-nos em casa.

Esta travessia não é tão exigente como a dos Carros de Focs ou o GR20 na Córsega, é bastante corrível e nunca nos sentimos isolados no meio do monte porque ao longe consegue-se sempre vislumbrar estradas e vilas, no entanto tem trilhos muito agradáveis no meio das inúmeras florestas.

 

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