Carros de Foc “Plus”

Desde que vimos uma reportagem na revista espanhola Oxigeno sobre esta travessia ficámos fascinados e com muita vontade de também fazer.

Carros de Foc é uma travessia que circunda todo o Parque Nacional de Aigüestortes i Estany San Maurici (PN Águas Tortas e Lago San Maurício), nos Pirenéus Catalães, e que une os seus 9 refúgios de montanha. A versão normal tem uma extensão de 55km com um desnível acumulado de 9.200m, no entanto nós optámos pela versão Plus que inclui mais 1 refúgio (Pla de la Font) e que aumenta a distância para 70km e 11.000m de desnível. Também decidimos seguir o sentido dos ponteiros dos relógios.

Há um ranking oficial para quem faz a volta normal em menos de 24h (têm de carimbar uma caderneta em todos os refúgios). Como fomos para desfrutar e íamos carregados, decidimos percorrer todo o percurso em 3 dias.

Entrámos no Parque pelo Vale de Boí-Taüll no dia 1 de agosto e iniciamos o percurso pelo Refúgio Estany Llong. Com o transporte até à entrada do Parque e mais 15km até chegarmos ao percurso só começamos a percorre-lo às 11:30h.

 

Logo no início do 1º dia tivemos uma das partes mais técnica, uma passagem demorada por blocos de granito, antes de chegarmos ao Refúgio de Ventosa i Calvell.

 

Seguimos depois para o Refúgio de Restanca onde pernoitamos.

 

No 2º dia iniciamos a “caminhada” mais cedo porque o percurso iria ser mais longo.

 

Primeiro objetivo era chegar ao Refúgio de Colomers, quase sempre a subir. Apesar do peso que transportávamos não foi difícil porque o dia estava fantástico e a paisagem era deslumbrante.

Seguiu-se o Refúgio de Saboredo onde aproveitámos para descansar um pouco e comer umas sandes. Foi engraçado ver nesse local uma senhora com mais de 80 anos de mochila às costas e cheia de energia.

Avançamos depois para o Refugio Xalet D´Amitges, onde quase não parámos porque ficava a meio de um enorme estradão e estava cheio de pessoas.

Alguns kms após este refúgio fica o Lado de San Mauricio (que dá nome ao Parque). Um grande lago artificial perto de uma vila onde centenas de pessoas aproveitam para fazer picnic e dar uns mergulhos. Um dos poucos locais em que estivemos abaixo dos 2.000m.

 

Do lago seguimos para o Refúgio Pla de la Font (esta parte é a adicional dos Carros de Foc Plus, no dia seguinte iriamos voltar a passar junto ao lago).

Para chegar ao último refúgio do dia foi muito complicado, uma subida com 1000m de desnível, mas valeu a pena porque o refúgio era muito acolhedor e num local completamente isolado. Ao final do dia tivemos uma imagem inesquecível, dezenas de cavalos a passarem ao lado do refúgio a grande velocidade. Foi simplesmente fantástico.

 

O 3º dia começou cedo. Estava uma manhã serena e o local era deslumbrante.

 

Passamos rapidamente pelo Refúgio Ernest Mallafré e seguimos em direção ao ponto mais alto da travessia, o Collet de Contraix (2748m).

Ultrapassado o “grande” obstáculo chegamos ao refúgio mais bonito, J.M.Blanc. Uma cabana de madeira junto a um lago, só visto.

Após um almoço reforçado seguimos para o penúltimo refúgio, Colomina.

 

Quando lá chegamos sabíamos que só faltava uma etapa e estava feito, no entanto não imaginávamos que a distancia entre este refúgio o último (Estany Llong) fosse tão longa, e depois ainda são mais 15km até à entrada do Parque. Para ajudar o percurso era bastante técnico.

Tivemos de acelerar bastante o ritmo porque sabíamos que caso chegássemos depois das 18h não havia transporte para fora do Parque. Sempre a correr conseguimos chegar à entrada do Parque às 17:58h, um stress mas que valeu muito a pena.

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