Marathon des Sables 2012

Um sonho tornado realidade e uma experiência para toda a vida

Com a nossa dupla vitória na Isostar Desert Marathon ganhámos a inscrição gratuita na Marathon des Sables (MdS), também conhecida por “Maratona das Areias”.

A participação nesta mítica prova foi um sonho que se tornou realidade. Desde que começamos a correr e víamos na Eurosport os resumos diários desta competição, ficávamos sempre a pensar que um dia haveríamos de estar do lado de lá do ecrã. Tinha chegado esse momento!

A Marathon des Sables é uma corrida que se realiza desde 1986 no Deserto do Sahara (sul de Marrocos) na distância de 250km e que se disputa em 7 dias (6 etapas). É considerada como uma das mais duras do mundo.

Tem de se transportar toda a comida e material necessário durante os 250km (no nosso caso a mochila pesava cerca de 9kg), a única coisa que a organização fornece aos participantes é água (9 litros por dia).

Para além desta dificuldade há ainda o elevado calor durante o dia que contrastava com o frio noturno, a falta de condições nos acampamentos, os animais venenosos…

Quem nos acompanhou neste Desafio foi o nosso amigo Carlos Sá (já se tinha estreado no ano anterior e ajudou-nos na logística). Decidimos viajar de carro até Madrid para nos juntarmos à comitiva Ibérica. De Madrid viajamos de avião até Ouarzazate onde ficamos hospedados.

No dia seguinte viajamos para o acampamento inicial. O nosso estado de espírito era de alguma apreensão mas essencialmente de felicidade, afinal era o realizar de um sonho.

No acampamento inicial estivemos 2 noites, ainda com direito a comida e bebida oferecidas pela organização.

Na tenda estavamos bem identificados com a bandeira de Portugal sempre presente. Eramos poucos mas estavamos orgulhosos!

Entre nós tínhamos feito um trato “vamos tentar fazer toda a prova sempre a correr”, sabíamos que começando a caminhar no meio de uma etapa era difícil voltar a corrida….


1ª ETAPA: 33,8 km

Às 9h do dia 10 de abril foi dado o tiro de partida da nossa Grande Aventura.

Começar uma prova tão exigente como a MdS origina sentimentos contrários porque se por um lado queremos dar o nosso máximo, por outro temos receio de estar a exagerar e no dia seguinte “pagar” por esse entusiasmo. Nós iniciamos a MdS com muito respeito e a tentar poupar o corpo para os dias seguintes (especialmente para a etapa dos 82km).

Telmo: 17º geral

Susana: 10ª mulher


2ª ETAPA: 38,5 km

No início de cada etapa é sempre uma incógnita a forma como o nosso corpo reagirá ao cansaço acumulado, à falta de conforto e às refeições “improvisadas”. Felizmente nunca tivemos qualquer tipo de problema, aliás com o passar dos dias sentimos que o nosso corpo se foi adaptando perfeitamente às condições adversas.

Também tivemos a sorte de partilharmos a tenda com um grupo espetacular de espanhois.

Nesta etapa talvez tenha sido o dia em que mais se sentiu o calor, especialmente na passagem por um lago salgado em que tínhamos de correr 10km em linha reta. Um suplicio, especialmente para a nossa cabeça.

Classificação: Telmo: 23º etapa (18º geral) / Susana: 6ª etapa (7ª geral feminina)

Chegada TELMO (3ª etapa)

Chegada SUSANA (3ª etapa)


 

3ª ETAPA: 35km

Neste dia o nosso pensamento já estava no dia seguinte (a temível etapa longa). Não valia a pena forçar o andamento porque iriamos precisar de toda a energia no dia seguinte. Tentámos desfrutar, mas sem exageros.

Classificação: Telmo: 16º (17º geral) / Susana: 6ª (7ª geral feminina)

Entretanto fomos verificando in loco que os animais venenosos andavam por perto (cobra na entrada da tenda e escopião na tenda ao lado).


4ª ETAPA: 81,5km

ETAPA RAINHA. Nesta etapa os 50 primeiros atletas da classificação só partem 3 horas depois dos restantes.

A Susana estava em 56º da geral e por esse motivo teve de sair às 8h. O Telmo, uma vez que estava em 18º teve o privilégio de sair acompanhado com os campeões.

O dia foi longo, muito longo, mas correu-nos muito bem. Sentimos que este tipo de distâncias é onde temos maior potencial.

Classificação: Telmo: 16º etapa (14º geral) / Susana: 5ª etapa (6ª geral feminina)

Chegada do TELMO (4ªetapa) – o cansaço e o vento deixaram marcas…

FANTÁSTICA CHEGADA DA SUSANA (4ª etapa) – a alegria era muita!!!

O pior foi a tempestade (vento muito forte e chuva torrencial) que caiu à noite e que não nos deixou descansar. Começou a chover dentro das tendas, elas começaram desfazer-se e a querer voar com o forte vento e não conseguíamos fazer fogueiras para comer. Foi talvez o momento mais difícil de toda a semana. Foi nesse momento que a Susana teve de sair da tenda (todos os outros estavam sem se conseguir mexer por causa da etapa) e chamar os marroquinos responsáveis pelo acampamento e exigiu que colocassem ferros para segurar os panos, mostrando como deviam fazer.

No dia seguinte à tarde quando ainda estão a chegar os últimos classificados, já com sol no céu, ainda aproveitamos para dar uma corridinha de descompressão apesar dos olhares espantados de muitos atletas.

Também aproveitamos para ir à enfermaria tratar de algumas mazelas…


5ª ETAPA: 42,2km

Com a etapa longa já feita, tínhamos a noção que o pior já estava feito, fosse a correr ou a caminhar haveríamos de concluir a MdS.

A partir daqui decidimos arriscar e deixar tudo “na areia”. O Telmo arrancou ao lado do Carlos Sá para tentar ajuda-lo e a Susana seguiu com as primeiras mulheres.

Foi a nossa melhor classificação nas etapas:

Classificação: Telmo: 9º etapa (13º geral) / Susana: 3ª etapa (6ª geral feminina)


6ª ETAPA: 15,5km

Apesar de ser o dia da Festa Final ainda contava para a classificação por isso voltamos a dar o máximo (dentro do possível).

Classificação Final:

  • Telmo: 15º etapa – Tempo total 24:00h – 13º geral
  • Susana: 5ª etapa – Tempo total: 29:53h – 6ª geral feminina

Cortar a meta da MdS é uma sensação inesquecível. Quando nos colocaram a medalha ao pescoço sentimos que valeu a pena todo o esforço dos últimos meses. A MdS não é uma simples prova, é uma grande experiência de vida onde a competição é um pormenor e que só está na cabeça dos 100 primeiros classificados.


No dia seguinte, já lavados e bem alimentados, fomos assistir com muito orgulho à entrega do troféu ao Carlos Sá pelo seu 4º lugar da geral (melhor europeu). Nós, melhor do que ninguém, sabemos o enorme esforço que o Carlos Sá fez para obter aquele fantástico resultado.

Depois foi tempo de festejar com o nosso novo amigo Serafin, português emigrante em França a trabalhar na Suiça e que também concluiu a MdS. O seu entusiasmo foi uma grande ajuda durante toda a semana.

No regresso ainda passámos um dia em Casablanca antes de aterrarmos em Madrid.

Para sempre ficarão na nossa memória as paisagens e a alegria das crianças que nos apareciam no meio do nada.

Este Desafio mostrou-nos que tudo é possível!

HAVEMOS DE VOLTAR!!!

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