Ironman Frankfurt 2009

Quando começamos a praticar triatlo em 2006 víamos a distância Ironman (3,8km natação – 180km bicicleta – 42,2km corrida) como algo inalcançável. Nessa altura, só o simples facto de terminarmos um triatlo sprint já nos enchia de orgulho.

Ao longo do tempo, conforme fomos ganhando experiência, fomos arriscando em triatlos com maiores distâncias até chegarmos à conclusão, em 2008, que o passo seguinte seria mesmo um Ironman (já tínhamos concluído 3 meios Ironman).

Entre as diversas possibilidades decidimo-nos pelo Ironman de Frankfurt por ser em julho e sabermos que era um dos melhores da Europa.

Tivemos de nos inscrever um ano antes (7 julho 2008) porque as 3.000 vagas anuais esgotam-se em poucas horas. Após esse dia nada mais havia a fazer senão treinar e esperar que nenhum azar nos “batesse à porta”

A partir de dezembro começamos a preparação e até julho a nossa vida foi sendo gerida em função dos treinos. Todas as oportunidades que tinhamos eram aproveitadas para meter kms, especialmente de bicicleta.

 

Foi nessa altura que, para testarmos a nossa capacidade de endurance, decidimos participar nos Caminhos de Santiago (160km em 3 dias) e na Ultra Geira Romana (45km – a nossa 1ª ultra).

Conforme a data ia-se aproximando o nosso nervosismo ia aumentando, “Será que vamos conseguir?


No dia 2 de Julho viajámos para a Alemanha na companhia do nosso amigo e companheiro de triatlos Nuno Barbosa. Ele também se iria estrear na distância. Decidimos ir de imediato levantar o dorsal para aproveitarmos o resto do tempo para passear.

 

No dia seguinte ainda fomos dar uma volta de bicicleta.

No dia 4 de Julho (sábado) tivemos de fazer o check-in e colocar todo o material junto ao lago onde iria decorrer a natação (claro que ainda fomos dar umas braçadas).

No dia 5 de julho a rotina foi a normal neste tipo de eventos:

4:00h – Pequeno-almoço

5:45h – Chegámos ao lago.

6:30h – Vestimos os fatos e fomos para a água

7:00h  Começou o Ironman!!!!

Os 3.800m de natação foram longos, tanto em esforço como em tempo. Com 2.800 atletas em prova tornou-se complicado nadar, especialmente no início. Depois de muito esforço e muita “pancadaria”, conseguimos sair da água. O Telmo em 1:09h e a Susana em 1:29

A primeira parte estava feita! Sendo a natação o nosso segmento mais fraco, é sempre com imensa alegria que saímos da água.

Quando se começa a pedalar para fazer 180km a sensação é estranha, ainda por cima porque não podemos ir a menos de 7 metros dos outros atletas. Eram 2 voltas num percurso relativamente plano, com 3 subidas por volta. Acabou por ser animado porque entre tantos atletas há sempre quem nos ultrapasse mas também muitos são ultrapassados por nós, tornado a “viagem” mais divertida.

As subidas eram sempre as partes mais emocionantes de todo o percurso. Estavam cheias de pessoas que, entusiasticamente, incentivavam todos os atletas, não faltando música, palmas e energia positiva, inclusive na mais íngreme os espectadores eram tantos que se tinham de afastar para nos dar passagem e depois vinham a correr ao nosso lado, parecia a Volta a França. Nessas alturas as lagrimas surgiam sempre tal era a emoção.

O Parque de Transição para a corrida parecia a box dos Fórmula 1. Depois de desmontarmos da bicicleta, alguém pegava nela e levava-a, nós só tínhamos de continuar a correr. De repente estava alguém a correr ao meu lado com o nosso saco do material para a corrida. Quando chegávamos a uma tenda, havia uma pessoa para nos ajudar a trocar de roupa e a calçar as sapatilhas. Quase sem sabermos como já estávamos a correr a Maratona.

Nós sabíamos que a corrida seria dos 3 segmentos era onde estaríamos (teoricamente) mais à vontade.

A meio do dia estavam 33 graus em Frankfurt, muito calor para uma maratona e muito mais para quem já tinha nadado e pedalado durante horas. O percurso era de 4 voltas no centro de Frankfurt, sempre à beira de um rio. Para além da beleza do local, mais uma vez havia uma enchente de espectadores. Para além dos amigos e familiares dos atletas, a população de Frankfurt estava nas ruas a bater palmas e a fazer barulho.

Nós na corrida tivemos performances diferentes. O Telmo a partir dos 15km começou a não ter energia e a reduzir o ritmo, sendo que nos últimos 10km já quase ia a caminhar, já a Susana conseguiu manter um ritmo constante desde o início e terminou a corrida cheia de entusiasmo. Ambos fizemos a maratona ligeiramente abaixo das 4 horas.

 

No final quando cruzamos a meta e nos colocam a medalha ao peito a sensação é fabulosa…. já eramos IRONMAN!!!! Era o culminar de 1 ano de dedicação e muito esforço.

Tempo final:

  • Telmo: 10:40h
  • Susana: 12:11h

Só ficamos tristes pelo nosso amigo Nuno não ter também conseguido concluir a prova.

Na véspera, uma brasileira tinha-nos dito que o que custa são os treinos, a prova em si passa muito rapidamente. Achamos que era um exagero, mas não o foi… a prova passou num ápice, com a adrenalina e a emoção não sentimos o passar do tempo.

No dia seguinte, tal e qual os criminosos que voltam ao local do crime, passamos novamente pelo local da meta para voltarmos a recordar as emoções e para a foto da praxe.

 

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